Domingo, 23/03/2025.
A cena me emociona: o Papa Francisco deixando o hospital, sorrindo, acenando, esbanjando uma serenidade que só os que carregam a vida com leveza conseguem ter. Não é qualquer um que, aos 87 anos, encara uma internação, passa pelo turbilhão de exames e sai dizendo que está pronto para trabalhar.
Pausa para um fato importante: o pontífice tem alma de argentino, mas pulmões de quem já enfrentou batalhas. Aos 21 anos, perdeu parte de um dos pulmões. Sim, antes de ser bispo, antes de ser cardeal, antes de ser Papa, ele foi paciente. E quem já teve uma guerra com o próprio ar sabe que respirar é um privilégio.
Agora, imagine: um senhor de quase nove décadas, que já carrega no peito essa história, precisa de hospitalização. O que fazer? Entregar os pulmões ao tempo? Aceitar o declínio sem resistência?
A resposta foi uma só: fisioterapia respiratória.
Pois é, meu amigo, a ciência, quando bem aplicada, beira o milagre. Se hoje Francisco pode voltar à Praça de São Pedro, cumprimentar fiéis e seguir com sua missão, foi porque teve ao lado fisioterapeutas que entenderam algo simples e profundo: ar é vida.
Respire comigo.
A gente passa a vida sem notar esse movimento. Puxa o ar, solta o ar, toca a vida. Mas só quem já perdeu o fôlego – por doença, por angústia, por um susto qualquer – sabe o valor que existe no simples ato de encher os pulmões. E foi isso que garantiu ao Papa sua alta.
E talvez seja por isso que essa imagem me toca tanto. Tive a oportunidade de assistir a uma missa com Francisco, em novembro de 2016. A Basílica de São Pedro estava lotada, mas, ao mesmo tempo, era como se houvesse um silêncio dentro de mim. Um silêncio tomado pela emoção de estar ali, ouvindo suas palavras, sentindo aquela energia. Um momento que, até hoje, guardo com gratidão.
Então, fica a lição. Há quem cuide do coração, do estômago, dos músculos. Mas e os pulmões? O que você tem feito por eles? Seu corpo precisa do ar, sua vida depende dele. A fisioterapia respiratória não é só para os que saem de um hospital, mas para quem quer evitar entrar nele.
Por fim, deixo uma oração. Que possamos respirar fundo, viver leve e, se possível, sorrir como Francisco ao deixar o hospital. Boa semana!
Um abraço,
Alceu Indalêncio Furtado.
Respostas de 2
Parabéns, Alceu!
Bela reflexão. Que nossos colegas italianos sigam tendo sucesso no tratamento e que ele possa respirar bem, para viver bem e fazer o bem.
Abraço, Marlus
Valeu Marlus.